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MEU NOME NÃO É AIDS

O jovem estudante Petterson Silva (16) é morador do município de Acará/PA, situado no nordeste do Estado. Em 2011 participou da capacitação e implantação do Grupo Gestor Municipal (GGM) do Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE). Desde então, vem colaborando nas ações de prevenção às DST e combatendo o preconceito em decorrência do HIV/Aids. 

Neste mesmo ano, integrou a Rede Jovens + Pará, articulação estadual da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens vivendo com HIV/Aids (RNAJVHA), que luta na promoção e defesa dos direitos humanos, com foco na saúde sexual e reprodutiva da população juvenil. Ele não vive com HIV, mas é um dos tantos jovens que hoje atuam com a RNAJVHA combatendo a discriminação a pessoas vítimas da Aids. 

Este mês o “ Gazeta do Vale”, jornal de circulação no Acará e em municípios vizinhos, publicou a matéria: “Preconceito é o principal problema para os portadores do HIV/Aids”. Junto às informações divulgadas, estava a foto de Petterson, justamente por ser um dos entrevistados sobre o assunto. Entretanto, após publicar a página com a notícia no facebook, começou a sofreu comentários de caráter preconceituoso. 

O título da matéria confirmou de forma antecipada aquilo que se comprovou em comentários , tanto na rede social, quanto em sua cidade. Porém, não é a primeira vez que Petterson tem recebido algumas censuras por se posicionar em defesa dos direitos humanos. Em algumas de suas postagens nas redes sociais se colocando contra a homofobia, também recebeu avacalhações. 

A grande questão é que esta atitude não se configura como um fato isolado ou até mesmo algo que vem para vitimar. A mesma situação ocorrida com Petterson é constante e em alguns lugares tem ocorrido de forma ainda mais violenta. Em São Paulo/SP, por exemplo, pai e filho foram confundidos com homossexuais e agredidos, sendo arrancada uma parte da orelha de um deles. Já em Camaçari/BA, um jovem também heterossexual foi brutalmente assassinado por está abraçando seu irmão. 

O fato é que não precisa ser soropositivo para também sofrer a discriminação das pessoas que vivem com HIV: basta assumir a luta contra a Aids para ser alvo de comentários estigmatizantes. Assim como o ser gay, lésbica, travesti ou transexual não é o único para ser vítima da homofobia, basta ter uma postura afetiva “diferente” da “normatividade”. Portanto, antes de fazer um discurso que limite a criminalização da homofobia somente a um direito de LGBT, vale lembrar que esta mesma violência vem atingindo também heterossexuais. 

Conforme a Declaração dos Direitos Fundamentais da Pessoa Portadora do Vírus da Aids¹: “ninguém tem o direito de restringir a liberdade ou os direitos das pessoas pelo único motivo de serem portadoras do HIV/aids”, “ninguém poderá fazer referência à doença de alguém, passada ou futura, ou ao resultado de seus testes para o HIV/aids, sem o consentimento da pessoa envolvida” e; “todo portador do vírus tem direito a comunicar apenas às pessoas que deseja seu estado de saúde e o resultado dos seus testes”. 

Infelizmente o compromisso com a vida nem sempre é visto com os olhos da solidariedade, onde a trave do preconceituoso insiste tapar. Porém, antes de qualquer afirmação equivocada ou atitude preconceituosa, vale lembrar que ninguém, a não ser a própria pessoa, tem o direito de revelar sua condição sorológica, seja ela qual for. E independente se positiva ao HIV ou não, merece ser respeitada em sua dignidade, independente de religião, orientação sexual, raça/etnia, etc. 

E antes que limitemos as pessoas simplesmente em um vírus, a reflexão do atual representante da RNAJVHA/Amazônia tem muito a nos ensinar: 


“Logo que descobri fiquei amedrontado, sem saber ao certo do que se tratava. Foi um momento de muito transtorno, fiquei sem “chão”. Aquele foi um momento oportuno para que eu pudesse buscar informações a respeito do que é o vírus HIV. Depois de um tempo já conformado, o que mais me chocou foi saber e notar em tudo o que li e em todas as informações que captava, o que mais mata, é o preconceito que a sociedade impôs sobre as pessoas que vivem com HIV. Hoje eu tenho uma concepção de mundo, não tenho vergonha do que sou. Me chamo EFRAIM LISBOA e não Aids...”

Eduardo da Amazônia
Representante estadual da RNAJVHA
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¹ Confira em: www.aids.gov.br/pagina/direitos-fundamentais  (consulta realizada em 08 de abril de 2013).
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RNAJVHA/PA PARTICIPA DE FÓRUM SOBRE EXTERMÍNIO DA JUVENTUDE NEGRA EM BELÉM

Na última quinta-feira (24) a Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids (RNAJVHA/PA), participou do Fórum de escuta sobre Extermínio da Juventude Negra promovido pelo Canal Futura, no auditório da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos - SDDH. A atividade teve como propósito consultar as diversas organizações que trabalham com a temática juvenil e direitos humanos, afim de compartilharem sobre a violência e genocídio a jovens negros(as) e possíveis formas de enfrentamento.

Contando com a participação de lideranças da Pastoral da Juventude (PJ), do Fórum de Juventude Negra (FOJUNE), Coletivo Casa Preta, Instituto Universidade Popular (UNIPOP), Centro de Estudos e Defesa do Negro no Pará (CEDENPA) e outras entidades, o momento proporcionou um espaço de troca de experiências e informações diversas sobre a realidade vivida pelos(as) jovens negros(as) na Amazônia. No encerramento as instituições presentes sentiram a necessidade de continuar este debate e definiram uma agenda para o próximo dia 31, no intuito de pautar possíveis ações.

Fotos: Kelem Cabral (Canal Futura)
Segundo Eduardo Soares, representante estadual da RNAJVHA/PA, os dados do Ministério da Saúde, apontam a população juvenil como a principal vítima da Aids e da violência. “Muitos jovens que hoje estão infectados pelo HIV, são negros e também estão vulneráveis a esta situação de violência” comenta. “É possível considerar o extermínio e a infecção do HIV de jovens negros, duas epidemias com elementos comuns como o racismo e o empobrecimento social, que precisam ser combatidos coletivamente” acrescenta.



Os fóruns integram a série “Diz Aí”, que serão produzidos pelo Canal Futura em parceria com o Instituto Querô. Além do Pará, esta sondagem também acontece ainda este mês nos Estados do Rio de Janeiro (22), São Paulo (25) e Bahia (29).
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JUVENTUDE E PARTICIPAÇÃO

A população jovem do Brasil gira em torno de 50 milhões. Segundo informações da Secretaria Geral da Presidência, este mesmo grupo concentra os piores índices de desemprego, evasão escolar, formação profissional, mortes por assassinato e envolvimento com drogas e criminalidade. Mesmo diante deste quadro preocupante, a primeira Política Nacional de Juventude do país data de apenas sete anos atrás.

Só em 2010 foi aprovada a chamada PEC da Juventude, que virou a Emenda Constitucional 65, introduzindo a categoria "jovem” na Constituição, no capítulo dos Direitos e Garantias Fundamentais. Portanto, o Brasil caminha a passos lentos em direção a consolidação de uma política de juventude de Estado, que venha superar a fragmentação e a descontinuidade que caracteriza fortemente alguns dos programas e projetos governamentais, voltados a população entre 15 e 29 anos.

O Brasil é o país onde mais se mata jovens no mundo. Somente em 2011 foram cerca de 28.000, repetindo a tendência de queda no número de jovens brancos e aumento do mesmo tipo de crime contra negros. Dados do Ministério da Saúde dão conta de que no ano de 2010 53,3% das 49.932 vítimas de homicídios eram jovens. Entre eles 76,6% negros e 91,3% do sexo masculino. De outro lado, deste mesmo grupo tão marcado por processos radicais de violência física e simbólica, surgem também novas formas e tentativas de solucionar problemas. A expansão incontornável da política para a arena virtual e a multiplicação de conexões possíveis entre a juventude vem pressionar o Estado para a criação de instâncias de participação que acompanhem as transformações contemporâneas.

Hoje os jovens não pleiteiam somente a resolução de seus problemas, mas a possibilidade de debater e interferir diretamente nos debates mais amplos colocados na conjuntura. Este deslocamento implica também, forçosamente, em passar das tradicionais políticas "para” a juventude, isto é, políticas concebidas pelos governos direcionadas ao jovem, para políticas de juventude, concebidas e elaboradas com a participação deles.

As políticas tem como dimensão fundamental incidir sobre as representações de grupos sociais fortemente estereotipados, como é o caso dos jovens, associados frequentemente a uma suposta propensão ao desvio. A defesa de direitos específicos deste grupo social, também é essencial para que a relação do Estado com a juventude comece a contribuir para disseminação de concepções e representações menos calcadas em estigmas e mais atenta aos anseios e demandas do jovem. Afinal, a história mostra de forma mais ou menos alternada que a juventude também pode ser identificada com o fôlego sempre presente nas transformações em diferentes sociedades.

Fonte: Adital
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