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BELÉM FAZ MEMÓRIA AS VÍTIMAS DA AIDS

Aconteceu no dia 18 de maio, o Candlelight Memorial (em português, “Memorial a Luz de Velas”). Com o tema “Em Solidariedade”, este evento chega a sua 30ª edição como uma das mais antigas intervenções globais sobre o HIV, para a prevenção e quebra do preconceito a pessoas soropositivas.

O Portal da Amazônia (Belém/PA) acolheu a ação que teve como propósito celebrar a memória das vítimas da Aids e sensibilizar a população acerca do HIV. Na programação houve acendimento de velas, músicas, reflexões e abordagens educativas as pessoas que transitavam no local.


A Federação Internacional das Associações dos Estudantes de Medicina (Comitê UFPA – IFMSA Brasil), da Rede Jovens + Pará (RNAJVHA/PA) e Pastoral da Aids da Arquidiocese de Belém, organizaram o evento em Belém/PA, contando com a parceria da ONG Noolhar e do Departamento Nacional de DST, Aids e Hepatites Virais.
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MEMORIAL DE VELAS PROMOVE A SOLIDARIEDADE E A LUTA CONTRA A AIDS

Os dados do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) revelam que no mundo 34 milhões de pessoas vivem com HIV e 1,7 milhões morreram em decorrência da doença. No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, 656.701 casos estão notificados desde o início da epidemia até junho de 2012 e aproximadamente 11,5 mil número de óbitos por ano. É para chamar a atenção sobre esta realidade que acontece no dia 18 de maio, o Candlelight Memorial (em português, “Memorial a Luz de Velas”).


Realizado desde 1983, está em sua 30ª edição, que tem como tema “Em Solidariedade”. O Memorial a Luz de Velas é uma das mais antigas e mais importantes campanhas de mobilização sobre HIV do planeta. É uma importante intervenção para a solidariedade global, rompendo as barreiras do estigma e discriminação e dando esperança às novas gerações. Na programação, haverá o acendimento de velas, simbolizando a memória viva daqueles que perderam sua vida em decorrência da AIDS.

Ainda como parte desta atividade, será realizada no dia anterior (17) a partir das 18h30, uma capacitação com os voluntários, no Instituto de Ciências da Saúde sobre a temática em foco. Estes estarão atuando no evento distribuindo materiais educativos e trocando informações através da abordagem individual com os presentes. 

A expectativa é que cerca de 200 pessoas participem do Memorial, entre estudantes da UFPA, ativistas do Fórum Paraense de ONG-Aids e da população em geral. A organização do evento é da Federação Internacional das Associações dos Estudantes de Medicina (Comitê UFPA – IFMSA Brasil), da Rede Jovens + Pará (RNAJVHA/PA) e Pastoral da Aids da Arquidiocese de Belém, em parceria com a ONG Noolhar e Departamento Nacional de DST, Aids e Hepatites Virais.

SERVIÇO

PAUTA: MEMORIAL DE VELAS PROMOVE A SOLIDARIEDADE E A LUTA CONTRA A AIDS
DATA: 18 de maio de 2013 (sábado)          HORÁRIO: 18h30          LOCAL: Portal da Amazônia
CONTATO: 91 82640808 (Kennedy - IFSMA) / 91 81831841 (Eduardo - RNAJVHA)
                      rnajvha.pa@gmail.com | pastaidsbelem@gmail.com
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REDE EM MOVIMENTO (MARÇO/ABRIL)

As águas de março e o abril pascal começam a se despedir deixando marcas na caminhada da Rede Jovens + Pará. Uma etapa de reflexões e ações importantes para o desenvolvimento do grupo que viveu estes momentos com bastante entusiasmo e comprometimento com a vida. 

Buscando colaborar cada vez mais no fortalecimento do protagonismo juvenil dentro das ações de saúde e educação, contribuímos na capacitação e implantação/implementação do Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE), na Região Metropolitana de Belém, ocorrida de 18 a 22 de março, na Escola de Governo do Pará. 

“Andar com fé eu vou, que a fé não costuma faiá”. O trecho desta canção de Gilberto Gil encontrou ressonância e motivou os jovens a participarem da IV Caminhada Pela Liberdade Religiosa que aconteceu no dia 17 de março. O som dos atabaques ecoava na Presidente Vargas, uma das principais avenidas de Belém, naquela manhã de domingo. [saiba +] 

A música, o sorriso, o abraço foram alguns gestos compartilhados na tarde do dia 31 de março, durante o almoço fraterno da Páscoa entre os integrantes da Rede. Aquele domingo proporcionou um clima acolhedor e festivo levando os presentes a uma maior integração.

Na visita ao UNICEF realizada no dia 05 de abril, apresentou-se o balanço das atividades desenvolvidas no ano anterior e o planejamento para 2013. Também houve um agradecimento pelo importante apoio que o UNICEF tem disponibilizado e reafirmou-se a parceria com a agência, em vista da defesa e promoção de direitos dos adolescentes e jovens vivendo com HIV/Aids. 

Ocorrida em 11 de abril, no Auditório da Secretaria de Estado de Obras Públicas (SEOP), a oficina de elaboração da Programação de Ações e Metas (PAM) do Estado do Pará, também contou com a participação da Rede Jovens + Pará e das demais entidades da sociedade civil e redes de pessoas soropositivas que compõem o Fórum Paraense de ONG-Aids e Hepatites Virais. 

Na reunião ordinária realizada no dia 13 de abril na Escola Costa e Silva, encaminharam-se algumas demandas presentes no Planejamento 2013, assim como (re)democratizou algumas responsabilidades entre os integrantes. Além disso, o grupo definiu o processo de seleção para a delegação do Pará no VI Encontro Nacional de Adolescentes e Jovens vivendo com HIV/Aids que será realizado de 10 a 13 de abril em Brasília.

Sendo uma Rede que se propõe educar pela/para a comunicação na busca de direitos, participa de processos de reflexão-ação buscando socializar in-formações e práticas. Neste sentido, Jovens + Pará esteve na Oficina de Comunicação e Direitos Humanos, promovida pela Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais – ABONG. A atividade aconteceu nos dias 16 a 18 de abril na Sede da CNBB/N2.

Na Câmara Municipal de Belém (CMB), os integrantes da Rede também participaram no dia 19 de abril da Sessão Especial acerca do “Dia Municipal de Luta contra a Aids”. A iniciativa da vereadora Marinor Brito juntamente com o Movimento de Luta contra a Aids, promoveu o debate sobre os principais problemas enfrentados principalmente pelas pessoas vivendo com HIV, tendo em vista a construção de um plano emergencial. 


A Rede também esteve facilitando o tema “Juventude e Aids” no XV Encontro de Agentes da Pastoral da Aids do Regional Sul 2 da CNBB. Do norte ao sul do Brasil, mais especificamente do Pará ao Paraná, partilhamos nossa experiência de trabalho através do protagonismo juvenil e a importância deste no enfrentamento à juvenização da epidemia. 

Em março e abril, houve outras atividades não menos relevantes estiveram acontecendo com a participação da Rede Jovens + Pará com: Fórum Paraense de ONG-Aids, Grupo de Trabalho Intersetorial do Programa Saúde na Escola (GTIE – PSE), Coordenadoria de Promoção dos Direitos da Juventude (CPDJ – SEJDH), etc. 

Articulados no tripé da formação, da acolhida e do controle social, busca-se cada vez mais amadurecer com a sociedade civil e poder público na construção de estratégias que possam reconhecer os jovens na sua integralidade como sujeitos de direitos e agentes da transformação necessária que o mundo espera ver!
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MEU NOME NÃO É AIDS

O jovem estudante Petterson Silva (16) é morador do município de Acará/PA, situado no nordeste do Estado. Em 2011 participou da capacitação e implantação do Grupo Gestor Municipal (GGM) do Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE). Desde então, vem colaborando nas ações de prevenção às DST e combatendo o preconceito em decorrência do HIV/Aids. 

Neste mesmo ano, integrou a Rede Jovens + Pará, articulação estadual da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens vivendo com HIV/Aids (RNAJVHA), que luta na promoção e defesa dos direitos humanos, com foco na saúde sexual e reprodutiva da população juvenil. Ele não vive com HIV, mas é um dos tantos jovens que hoje atuam com a RNAJVHA combatendo a discriminação a pessoas vítimas da Aids. 

Este mês o “ Gazeta do Vale”, jornal de circulação no Acará e em municípios vizinhos, publicou a matéria: “Preconceito é o principal problema para os portadores do HIV/Aids”. Junto às informações divulgadas, estava a foto de Petterson, justamente por ser um dos entrevistados sobre o assunto. Entretanto, após publicar a página com a notícia no facebook, começou a sofreu comentários de caráter preconceituoso. 

O título da matéria confirmou de forma antecipada aquilo que se comprovou em comentários , tanto na rede social, quanto em sua cidade. Porém, não é a primeira vez que Petterson tem recebido algumas censuras por se posicionar em defesa dos direitos humanos. Em algumas de suas postagens nas redes sociais se colocando contra a homofobia, também recebeu avacalhações. 

A grande questão é que esta atitude não se configura como um fato isolado ou até mesmo algo que vem para vitimar. A mesma situação ocorrida com Petterson é constante e em alguns lugares tem ocorrido de forma ainda mais violenta. Em São Paulo/SP, por exemplo, pai e filho foram confundidos com homossexuais e agredidos, sendo arrancada uma parte da orelha de um deles. Já em Camaçari/BA, um jovem também heterossexual foi brutalmente assassinado por está abraçando seu irmão. 

O fato é que não precisa ser soropositivo para também sofrer a discriminação das pessoas que vivem com HIV: basta assumir a luta contra a Aids para ser alvo de comentários estigmatizantes. Assim como o ser gay, lésbica, travesti ou transexual não é o único para ser vítima da homofobia, basta ter uma postura afetiva “diferente” da “normatividade”. Portanto, antes de fazer um discurso que limite a criminalização da homofobia somente a um direito de LGBT, vale lembrar que esta mesma violência vem atingindo também heterossexuais. 

Conforme a Declaração dos Direitos Fundamentais da Pessoa Portadora do Vírus da Aids¹: “ninguém tem o direito de restringir a liberdade ou os direitos das pessoas pelo único motivo de serem portadoras do HIV/aids”, “ninguém poderá fazer referência à doença de alguém, passada ou futura, ou ao resultado de seus testes para o HIV/aids, sem o consentimento da pessoa envolvida” e; “todo portador do vírus tem direito a comunicar apenas às pessoas que deseja seu estado de saúde e o resultado dos seus testes”. 

Infelizmente o compromisso com a vida nem sempre é visto com os olhos da solidariedade, onde a trave do preconceituoso insiste tapar. Porém, antes de qualquer afirmação equivocada ou atitude preconceituosa, vale lembrar que ninguém, a não ser a própria pessoa, tem o direito de revelar sua condição sorológica, seja ela qual for. E independente se positiva ao HIV ou não, merece ser respeitada em sua dignidade, independente de religião, orientação sexual, raça/etnia, etc. 

E antes que limitemos as pessoas simplesmente em um vírus, a reflexão do atual representante da RNAJVHA/Amazônia tem muito a nos ensinar: 


“Logo que descobri fiquei amedrontado, sem saber ao certo do que se tratava. Foi um momento de muito transtorno, fiquei sem “chão”. Aquele foi um momento oportuno para que eu pudesse buscar informações a respeito do que é o vírus HIV. Depois de um tempo já conformado, o que mais me chocou foi saber e notar em tudo o que li e em todas as informações que captava, o que mais mata, é o preconceito que a sociedade impôs sobre as pessoas que vivem com HIV. Hoje eu tenho uma concepção de mundo, não tenho vergonha do que sou. Me chamo EFRAIM LISBOA e não Aids...”

Eduardo da Amazônia
Representante estadual da RNAJVHA
______________________________
¹ Confira em: www.aids.gov.br/pagina/direitos-fundamentais  (consulta realizada em 08 de abril de 2013).
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SIM A VIDA NÃO AOS ESTIGMAS

Carta aberta de Ruana Corrêa e Rapha Agostini ao Ministério da Saúde em decorrência da campanha de prevenção Aids do Carnaval 2013.

No último trinta e um de janeiro o Ministério da Saúde lançou a Campanha Nacional de Prevenção de DST/AIDS de carnaval. Foram camisas, bottons, e um vídeo a ser veiculado em toda rede nacional de televisão e rádio. A mensagem desse ano? “A vida é melhor sem Aids”.

Como se já não bastasse a infeliz slogan da campanha - cujo principal objetivo deveria ser atentar para a prevenção, sinalizando para a importância do uso do preservativo - a propaganda mais amedronta aos telespectadores do que informa. Não é difícil supor que ninguém irá fazer o teste, afinal quem quer saber que está condenado? Como se o diagnóstico tardio já não fosse um problema bastante sério no caso do nosso país...

É ponto pacífico na literatura que versa sobre a temática, as campanhas de conscientização devem sempre escolher a via da sensibilização em detrimento da pedagogia do medo sob pena de fracassarem solenemente. Ademais, o crescente número de novas infecções, parece ilustrar que é necessário superar a lógica de amedrontamento em favor da discussão sobre vulnerabilidade.

Ora, é evidente que as drogas usadas no controle do vírus podem causar uma série de efeitos colaterais e que seria melhor não depender delas. Portanto, o ideal seria investir na busca por medicamentos menos danosos ou até a tão sonhada cura, ao invés de gastar dinheiro público promovendo a estigmatização de homens e mulheres soropositivos. E por que não vemos isso?

Alertar a população acerca dos riscos da AIDS é senso comum. Nos perguntamos: a que custos isso deve ser feito? No Brasil quase um milhão de pessoas vivem com o vírus HIV, ressuscitar esses estigmas que jurava-se superado, além de apavorante nos deixa com a sensação de retrocesso, de ter voltado à década de oitenta, quando os meios de comunicação anunciavam, impiedosamente: a AIDS mata. Será isso o máximo que se pode esperar, em pleno século XXI, do programa brasileiro de enfrentamento a AIDS, outrora já reconhecido como de referência em todo o mundo?

Outra consideração necessária: qual a necessidade de estampar no rosto do rapaz soropositivo feições pesadas, de querer a todo custo demonstrar culpa e arrependimento? Arrependimento do que? De ter transado? Tal lógica está a serviço de um puritanismo inquisitorial que tenta a todo custo classificar o sexo como pecado, como algo que deve ser evitado; uma lógica de puro desserviço.

Evidente que se deve ser responsável pelos seus atos. Mas ser responsável é diferente de ser culpado; há de se transcender a ideia de culpa, gestada, ao longo da história, como forma de arrancar indulgência, de dobrar os fortes aos fracos, os que dizem sim a vida aos que só são capazes de dizer não. Ao culpado só resta à penitência, ao responsável fica a reflexão que impede outros erros.

Responsabilidade é a habilidade de responder, de dar respostas àquilo que, apesar de não se desejar se apresenta afinal ninguém sai pelo mundo em busca do vírus. Em algum momento o vírus cruzou o caminho de homens e mulheres e, cada um por seus motivos, acabaram infectados - isso sem falar das transmissões verticais.

Por fim, se a preocupação é o tamanho do problema representado pela AIDS, uma política de mais investimentos em um sistema de saúde realmente universal e eficaz certamente resolveria; teríamos menores taxas de não - adesão, inovadoras tecnologias de prevenção e campanhas publicitárias mais criativas e menos medievais.

O passado está posto; não há o que se fazer em relação a ele; há de se fazer em relação ao tempo presente. E o presente exige que digamos sim a vida e não aos estigmas.



07/02/2013
Ruana Corrêa e Rapha Agostini
Ciências Sociais/UFRJ

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